segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Crônicas da razão.

Terá valido a pena a incerteza de cada dia? Eu vivi e vi momentos tão estranhos que nunca saberia ao certo se eram causados pela sobriedade alcoólica ou a embriaguez da paixão. Passaram horas desde então e eu fico assim: calado, pesado, cansado e tentando entender aquilo que nem sempre precisa de uma real explicação. Sinto vergonha. Pela razão da minha falta de razão e por todas essas desculpas que a gente ouve e inventa. Se bem que quando ouvimos, por ora podemos nos fazer de surdo apenas por discrença. Pura bobagem.

Não agi sem base, nunca faria assim. Bem ou mal como dizem: motivos sempre há. Entretanto, há aqueles que caçam motivos e outros que apenas esperam eles surgirem, de verdade, de maneira sólida, palpáveis. Decido viver em paz, sereno, como na verdade sempre fui. Como se deve ser. E que agora os erros de ontem não sirvam apenas como uma maneira de dizer que aprendi, mas sim uma nova filosofia de viver. Buscando sempre equilibrio e, por que não, um pouco de razão. Afinal de contas, o que fica mesmo são os bons momentos. E com certeza estes sim (!) trazem de volta a tranquilidade de sermos apenas aquilo que somos: Humanos.
Desci as escadas de pedra correndo.
Corria e a imensidão azul me esperava.
E por menor que me sentisse por dentro.
Em seus olhos azuis eu nadava.
Não sei se o sal era da aguá ou do seu corpo.
Nada disso é tão importante assim.
E foi no mar que recuperei o que estava torto.
O nosso amor guardado dentro de mim.
Bruno Lagoeiro
p.s. Que 2010 comece agora com o pé direito. E assim será, pelo menos para nós dois.
p.s.2 talvez o blog esteja sendo ressucitado aos pouquinhos.

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Palavras finais para a rainha.

Pudera eu ser menos ingênuo. O avistar de mil palavras como uma avalanche vindo em sua direção. Você fecha os olhos e já vê. E assim acredita se quiser realmente acreditar. Bobagem... Pura bobagem. Quem sou eu para mudar toda uma década?
Você sabe que realmente nada disso talvez seja tão importante. Coloquemos assim: De agora em diante é o que vale. E digo isso por mim. Mesmo sabendo que por você, rainha, tudo acaba sendo muito confuso. Temos então agora um recomeço, certo? Espero que sim. E que de todas as palavras de antes sejam deletadas e esquecidas. O ponto agora é o que importa. Vou parar de buscar entremeios. Parar de procurar qualquer razão anti-felicidade.
Enquanto você dorme e eu planejo um plano. Tão confuso quanto este texto e minha cabeça neste momento. Plano silencioso. Às vezes covarde e às vezes herói.
Mas o que eu queria mesmo rainha... Era fechar os meus olhos e fingir que nada disso aconteceu. Não me leve a mal. Apenas me leve, assim como eu levo seus sorrisos de realeza. E engulo as angustias que partem o meu peito. Sem aos menos conseguir perceber que elas são tão minhas quanto suas.

Ao abrir os olhos a rainha me disse: Você gosta das tempestades.
Preferir fechar os olhos e digerir a seco aquele tufão. Já sentindo sua mão percorrer o meu peito. E nele deitou. Deitou e disse que me amava, assim como se amar não fosse tão difícil como é. Eu te amo rainha. E cada vez que repito essa palavra, um nó se instala em minha garganta e desejo algo que não sei bem o que é. É como estar preso e não ter plano de fuga. É como querer lutar contra um campeão. Aquilo que você quer mais que tudo e mesmo assim o confunde por não se sentir hábil o suficiente para tê-lo.
Bruno Lagoeiro

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Textos do Atlântico.

Eu queria ser um rei.
Para mandar e desmandar.
Nas ordens da indecisão.
E assim escolher a quem dar.
As chaves da minha imaginação.
Sem a razão jamais abandonar.

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E o tempo passa. Você nem viu ele passar.
Quando vê é assim: estalar de dedos e já foi.
Os sorrisos são velhos.
Os sorrisos são passados e acabam virando um, único, grande riso.
Riso das sensações vividas ou não.
Só resta mesmo inventar um passado com glórias, recriar uma história, para não viver na desilusão.

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Finge. Finge e mente. Vai! Que é mais fácil assim.
Olha, não vá deixar de parecer contente.
Fica cego e banque o esperto.
Vá na frente! Que eu já vou atrás.
Vou catando as suas vontades. Você ignora as maldades.
E assim... Vamos vivendo em paz.

Bruno Lagoeiro

quinta-feira, 16 de julho de 2009

A reviravolta - PARTE VI - O FINAL

Acaba o combustível de seu carro. O alfa-romeo encosta. Guilherme está em uma paisagem desconhecida. De tanto dirigir com o pensamento distante, acabou indo mais longe que os pensamentos. Desce do carro, saca um cigarro e uma garrafa de uísque. Ambos no fim. Tudo chega ao fim. Lembra-se da arma no porta-luvas. Uma idéia não tão distante de sua mente. Pare com isso Guilherme. Parece que nunca sofreu por amor.
Seu telefone toca. Há uma mensagem no correio de voz:
- Meu filho... Aguardamos seu retorno. Valentina foi apenas um sonho. Você precisa voltar ao tratamento.
Sentado no entardecer dessa paisagem desértica. Sentado e olhando o nada. Fumando os meus últimos cigarros. Sentido o gosto de o álcool arranhar minha garganta. O vento tocando meu cabelo. Estou mais que confuso. Não importa se amei. Não importa quem amei. Importa que eu vivi. Eu sei que vivi! Passo as mãos no chão de terra alaranjada. O vento frio da noite começa a chegar. Continuo vendo ela. Lá ela está. Como da primeira vez. Perto daquela arvore no parque, linda e encantadora. Agora está ali. Perto daquela montanha. E me chama. Me chama novamente apenas com o olhar. Espere Valentina, estou indo! Levanto ébrio. Pego celular e retorno a ligação de meu pai.
-Estarei de volta em breve. Perdoe-me pela insensatez...
Jogo o celular o mais longe que consigo. Ele espatifa. Caminho trôpego na direção de Valentina. Eu caminho, mas nunca chego. Vou de volta aos seus braços, para finalmente desncasar em paz.
O despertador toca. 5:45h da manhã. Hora de levantar. O quarto gira. O corpo dói e reclama. A garganta está muito seca. Não é possível respirar pelo nariz. Este está repleto de secreções misturado com poeira e fuligem. Quando a água gelada bate em minha nuca sinto um relaxar surreal. Caminho pelo apartamento. Pego algumas roupas do chão para colocar no cesto de roupas sujas enquanto já deixei a água do café aquecer. Deve chegar no máximo até 96º Celsius para não torrar o grão. Visto o meu terno, risca de giz Armani, meus sapatos pretos, minha camisa branca alinhada e a grava preta entrelaçada com prata em listras. Preparo a xícara de café, 500 ml, e adiciono 3 gotas de adoçante. Bebo metade de solavanco. O resto vai no carro. Na minha pasta vão papéis e notebook, cigarros vão no bolso interno do paletó, chaves do carro... Ah, o mais importante! O beijo na minha argentina, que ainda dorme.
Bruno Lagoeiro

terça-feira, 14 de julho de 2009

A reviravolta - PARTE V

Nosso lar. Nossa vida construída e agora demolida. Guilherme entra em seu apartamento e suas coisas não estão mais lá. Onde foram? Bate a porta da sala. O eco do vazio, elementos não mais presentes, ecoa. Seus passos agora são duplos. E o ar parece rarefeito pela ausência de tudo, pela ausência de Valentina. Ele tinha abandonado tudo de sua vida. Suas escolhas, seus objetivos, seu futuro brilhante... Seus ideais. Para viver aquela aventura que agora parecia distante. Que agora nada mais era do que uma página morta na memória de um escritor sem caneta.

Eu te amo de atriz. Por que Valentina? Vem. Conquista o meu sorriso com seus encantos. E me larga neste lamento. Neste fracasso. Por que seus olhos não seguem apenas os meus?! Seus pensamentos fogem da minha direção! E seus desejos não satisfazem com meu corpo?! Por que Valentina?! Por que roubou este momento de minha vida?! E destruiu meus pilares de certezas?! Nunca mais Valentina, nunca mais...

Caminha pelo apartamento. Lá fora a chuva aperta e agride a ampla janela do 12º andar. O olhar de Guilherme se perde pelas ruas. Ele decide pegar seu carro e sair para reencontrá-la em qualquer lugar. Reencontrar a sua vida.


Bruno Lagoeiro

A reviravolta - PARTE IV

OBS: ANTES DE COMEÇAR A LER CLICK, PARA OUVIR ENQUANTO LE, NA PALAVRA EM AZUL ( MARVIN GAYE ). É PARA OUVIR A MÚSICA JUNTO COM O TEXTO.

Seu cabelo castanho claro, quase ruivo ou loiro? Não importa. Único e liso, deslizando pelas costas. Pelo corpo. Suavemente. Ela se olha no espelho. Olha-se e toca-se. No som ambiente toca algo de Marvin Gaye. Ela desce os dedos pela blusa xadrez, branca e azul claro. Entrelaçando-os para desfazer os cinco botões uniformemente. Retira a blusa movendo-se lentamente e melodicamente com a música que a acompanha. Sua pele branca e seus olhos de mel, envolvidos por pelo lápis preto, combinam em harmonia plena com sua altura mediana e corpo delineado. Seus lábios finos e as maçãs do rosto coradas, pintadas com sardas. Você foi desenhada por um artista apaixonado. Os seios médios, tamanho ideal, ocupam o soutien lilás. Ela vira-se para mim. Aproxima-se enquanto estou deitado na cama. Seios desnudos. Botão da calça jeans aberta. Agora o show é particular e não mais apenas pelo espelho. Ela fica nua. Um milhão de pensamentos colidem em minha cabeça. O tempo para. Minha respiração cessa. A argentina aproxima-se de meu pescoço. Beija-o. Me chama pelo nome com sotaque. O que sinto é algo totalmente indiscritível. Que suga, amarra, seguram, prende e me faz ser felicidade. Transborda dela e passa para minha pele de uma maneira que não contenho. Não há como negar minha paixão por Valentina. Quero-te, te quero pra sempre.

domingo, 12 de julho de 2009

A reviravolta - PARTE III

Ela surgiu e foi devastadora em sua vida! Lembra-se disso Guilherme?
Pois bem, já que você prefere ignorar aquilo que é muito óbvio e claro para qualquer um a sua volta eu digo e repito!
Pode até parecer que sim.
Contudo, lembra das mentiras? Das idas e vindas? Palavras falsas, gestos suspeitos, interjeições inexplicáveis?
Não lembra Guilherme?
Insensatez da minha parte?
Eu te conheço a mais de 20 anos!
Ok, por alguns momentos você pode até ter exagerado coisa e tal. Mas não da pra dar mole, tem que marcar em cima. Tem que ser homem de verdade.
Eu sei que quando se ama é duro ver a verdade, entretanto você precisa!
Venha cá e de um abraço em seu irmão. Eu só quero seu bem.
Agora, vá lá procure ver com seus prórpios olhos. E descubra se estou mentindo.

Bruno Lagoeiro